.SIM

-Reacção de José Sócrates(SIC)

-Reacção de Jerónimo de Sousa(SIC)

-Reacção de Francisco Louçã(SIC)

-Reacção de Movimentos pelo SIM(SIC)

-Especial SIC
Últimas notícias
O Referendo nos Blogs

.posts recentes

. (sem assunto)

. ...

. Bom dia..

. ...

. apoio monetário

. ...

. despenalização do aborto

. Promulgação do Presidente...

. Vigarice

. concordo

.arquivos

. Novembro 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Novembro 2007

. Agosto 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Novembro 2005

. Outubro 2005

.tags

. aborto

. abstencao

. casal

. celulas

. choro

. condições

. coragem

. crianças

. crime

. debates; sic; aborto

. democracia

. deputados

. desabafo

. despenalizacao

. despenalização

. despenalizado

. despenalizar

. direito

. duvida

. escravatura

. espanha

. estado

. familia

. feto

. governo

. hipocrisia

. igreja

. infértil

. ivg

. jose policarpo

. justica

. legislacao

. menino

. moralista

. morte

. mulheres

. opiniões

. parlamento

. pena morte

. politicos

. portugueses

. ps

. referendo

. vergonha

. vida

. todas as tags

.subscrever feeds

Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Retalhos da vida de uma médica (1)

Retalhos da vida de uma médica (1)A verdade possível Peço desculpa por nâo poder responder directamente aos comentários que me fazem mas só desta forma consigo enviar mensagens.Se comprendi bem a grande maioria daqueles que são contra a despenalisação da terminação voluntária da gravidez (TG) fazem-no em nome de principios que lhes parecem fundamentais, cristalinos, lógicos e não negociáveis. Há os que acreditam que a "esperança é a última coisa a morrer" e que o ser humano em potência pode ser e deve ser poupado em todas as circonstâncias; estão convencidos que será sempre possível encontrar uma solução aceitável se a mãe e a criança forem ajudadas pela sociedade que deverá desenvolver acções nesse sentido. São pessoas "óptimistas" e consideram que a lei actualmente em vigor já é demasiado permissiva e que a terminação da gravidez por motivos de violação ou malformação fetal não deveria ser aceite. Este grupo de pessoas conta com muitos médicos, colegas meus que tal como eu abraçaram esta profissão acima de tudo com a vontade de dar o seu melhor para ajudar os outros. Há um segundo grupo de pessoas que aceita a TG nas indicações previstas pela lei actual mas que é contra a TG a pedido da mulher ou noutros casos que não estejam previstos (em suma estão satisfeitos com a lei actual). Tb já li comentários de pessoas que aceitariam alargar as indicações previstas pela lei actual mas que são fundamentalmente contra a TG a pedido da mulher. Penso que resumi a posição da grande maioria das pessoas que votarão Não. As posições acima resumidas não me surpreendem. Tão pouco tenho a pretensão de tentar convencer alguém a mudar de "princípios". Aquilo que vos proponho é o confronto das vossas posições com o teste da realidade. É a realidade que nos inspira e nos corrige nas nossas leituras e interpretações do mundo. Foi o contacto com uma realidade diferente da portuguesa (uma sociedade mais aberta e mais tolerante em relação aquilo que temos de mais humano: as nossas dúvidas e hesitações, os nossos recúos) que me fez mudar de posição e atitude em relação à interrupção ou terminação da gravidez, ou se preferirem o aborto.Como já se viu escrevo mal. Assumo a inteira responsabilidade dessa falha na minha formação e trabalharei para a corrigir. Na verdade pouco me importa se escrevo mal (tenho outras preocupações mais urgentes) mas gostava que percebessem o que escrevo. Tb não sei fazer filmes (seria a melhor maneira de vos mostrar algumas imagens do mundo real), mas vou esforçar-me para vos descrever sumáriamente (com nomes fictícios e alterações necessárias) alguns casos que segui. São histórias muito tristes escolhidas com um propósito essencial: o de mostrar que se não "ouvirmos" e respeitarmos o que nos pedem as mulheres podemos contribuir para agravar injustiças e tornar muito infelizes as mulheres que nos procuram. Acima de tudo não estaremos a cumprir essa missão importante quer sejamos médicos, professores, assistentes sociais ou simplesmente cidadãos e cidadãs com um sentido de humanismo: a de ajudar os outros. Nalguns casos não é mesmo possível, nem com toda a ajuda do mundo, salvar a vida de um ser humano em potência se queremos respeitar a dignidade, a integridade e a saúde mental da mulher. Servem tb para ilustrar o papel central que têm os profissionais da saúde no acolhimento e seguimento destas mulheres. 1- Conheci a Bárbara aos 14 anos pouco tempo depois de eu ter chegado à Suiça. Eu dava consultas de ginecologia para jovens. Ela trabalhava como empregada doméstica em casa de uma outra familia portuguesa pois a sua própria familia, que vivia no norte de Portugal assim a obrigára. Veio com uma amiga à consulta pq não tinha o período há 2 meses. Disse-me que tinha tido uma única relação sexual imprevista 2 meses antes numa festa com um rapaz mais velho que não conhecia. A gravidez era de 10 semanas. Disse-nos que não a queria e que não podia de maneira nenhuma guardar aquela gravidez e começou a chorar e a soluçar. As diferentes possibilidades foram discutidas. Depois de ver uma assistente social e um psicólogo confirmou o seu pedido de TG. Eu sentia que havia qualquer coisa que ela não nos tinha dito e disse-lhe isso mesmo e que gostaria de a ajudar. Foi com dificuldade que a convenci a deixar-nos guardar um fragmento de placenta para eventuais exames de reconhecimento da paternidade (insisti pois tratava-se de uma rapariga muito jovem e eu sabia pouco do que realmente se tinha passado). Uns dias mais tarde a IG ocorreu sem problemas. Passadas 2 semanas ela veio novamente ter comigo: sentia-se muito aliviada e queria dizer-me que o pai da criança não tinha sido nenhum desconhecido mas o senhor em casa de quem trabalhava. E que antes dela já outra empregada tinha sido despedida, ao que parece tb grávida. A Bárbara teve direito a uma protecção social, o caso foi a julgamento, havia a prova de crime (o fragmento de placenta) e o criminoso foi condenado. Quantos teriam recusado esta IG "a pedido da mulher" e teriam obrigado uma rapariga de 14 anos a carregar a gravidez até ao fim (para o ser humano em potência poder ser adoptado por uma outra familia)? E quantos seriam capazes de lho anunciar olhos nos olhos? De acordo com a lei actualmente em vigor em Portugal não tendo havido "queixa" de violação a Bárbara não teria direito a uma TG. Como ela estava na depêndencia directa do criminoso nunca se teria atrevido a fazer queixa. Tão pouco a idade ou o facto de ter uma situação social de grande precaridade são consideradas indicações. E as mulheres, especialmente as mulheres jovens dizem-nos o que podem quando podem e apenas se se sentem compreendidas. Não por "maldade" ou "conspiração" femininas, mas porque é assim o ser humano. As mulheres de todas as idades só propcurarão os médicos e os profissionais da saúde se houver "opções" a discutir. A criminalização da TG tal como sucede actualmente em Portugal não favorece em nada esse encontro. Infelizmente este foi o primeiro caso entre muitos. Não tenho a mais pequena dúvida que em Portugal os padres, as assistentes sociais, os obstetras (no dia do parto...) se vêem confrontados todos os dias com casos destes. Só me admira que não venham falar mais vezes em público desta triste realidade. Depois do acontecido, a Barbara retomou os estudos, ajudada pelos serviços sociais suiços e pela amiga que tinha vindo com ela às consultas. Ao que parece nem a sua própria familia nem os serviços sociais portugueses lhe deu grande apoio (disse-me a certa altura que era a filha mais nova de 7 e que os pais tinham muito que fazer, e imagino que o mesmo se deve passar com os serviços sociais). Durante os anos que a fui vendo nunca houve a mínima sombra dessa "entidade mistica" chamada sindroma pós-aborto. Continua

**********************************************************************
This email and any files transmitted with it are confidential and
intended solely for the use of the individual or entity to whom they
are addressed. If you have received this email in error please notify
the system manager.
**********************************************************************
publicado por comunidade às 16:37

link do post | comentar | favorito
14 comentários:
De Diogo a 18 de Janeiro de 2007 às 10:16
o SIM está a perder o debate

Vejam http://anti-aborto.blogspot.com/
De cneves a 18 de Janeiro de 2007 às 13:02
Caro Diogo,
...a perder qual debate? Aquele em que você "participa"? - MAS VOCÊ PARTICIPA?
Antes de mais, deveria conhecer o que significa a palavra "DEBATE"... -Veja no dicionário...
Cumprimentos,
Celestino Neves
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 23:48
QUERER VER ÀS APALPADELAS...

No debate da sobranceria e da arrogância ninguém te bate, ó Celestino! Vê lá se inchas de mais, como o balão do pantaleão. Ainda vais atingir algum dos teus com os estilhaços....

MISSIL
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 12:31
Deve ser verdadeiramente uma grande médica!!
Creio que como a senhora como mulher mas mais ainda como médica devia rever bem os seus princípios.

E isto não vem de uma pessoa do Não!!!!!
De cneves a 18 de Janeiro de 2007 às 13:07
...e você caro(a) "anónino(a)", não admite a hipótese de os rever?
Nunca é tarde para nos redimirmos e você está ainda muito a tempo...
Nunca se deve tentar dar "lições de vida" a ninguém, sobretudo, quando não temos "nada" para dizer! Foi o que você fez - e não devia!
Celestino Neves
De Anónimo a 19 de Janeiro de 2007 às 09:35
Redimirmos dos meus principios???Não creio que seja necessário.Eu tou a tempo de q?De favorecer a morte de inocentes?Não obrigado!!!!!
Não vou nem quero ser conivente com o sangue derramada de tantas crianças cujo único mal é ter a infelicidade de serem gerados por pessoas irresponsáveis que dão mais valor aos prazeres da carne do que a um ser que está a crescer dentro deles.
A partir do momento em que o feto está no seio materno, come, bebe, e sente o que a mãe sente...é vida.E ninguém venha dizer q não é!
O senhor Celestino, teve uma atitude mt corajosa e honrada qd adoptou essa criança com deficiência que hoje já é adulta, contudo creio que não aprendeu mt pois quem é capaz de dar amor a um filho de terceiros como o senhor deu e para mais sabendo que tem determinado grau de deficiência nunca...mas nunca mesmo estaria agora aqui a criticar os valores da vida das outras pessoas .Se o senhor perdeu assim tanto a fé e o valor da vida então não critique ou despreze os dos outros.
Eu creio que cada um defende a vida como a consciência dita.Agora eu não irei votar sim só para facilitar a vida de mts.

De cneves a 18 de Janeiro de 2007 às 12:55
Cara Dr.ª,
Parabéns pela forma como nos descreve de uma forma pedagógica e positiva o seu conhecimento de uma realidade (a da Suiça), que poderia muito bem ser também a nossa, não fora o constante "remar contra a maré" de muita gente em Portugal - E NÃO FALO DOS QUE ESTÃO DE BOA FÉ, QUE TAMBÉM OS HÁ DO LADO DO NÃO...
É no entanto extraordinário, como no meio deste aceso debate, "flutuam" algumas pessoas, só para perturbar e desconversar... - refiro-me obviamente a alguns dos comentários que fazem relativamente ao que escreve!
Não se preocupe, nem "tropece" neles, que não vale a pena...
Já agora, uma dica para que a Dr.ª perceba um pouco porquê em Portugal se constatam tantas resistências relativamente à possibilidade de alterar a Lei:
É que há no nosso País, inúmeras Clínicas de luxo, já a facturar imenso dinheiro com o aborto clandestino - basta estarmos atentos ao que disse estes dias a Procuradora Geral-adjunta Maria José Morgado sobre isso!
E ela é insuspeita nesta matéria...
Clínicas onde "mandam" muitos dos que andam por aí a "vozeirar" contra o SIM - PORQUE SE ESTE VENCER, LHES VAI ACABAR COM A "GALINHA DOS OVOS DE OIRO"...
Com toda a estima,
Celestino Neves
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 13:37
Fala como se a despenalização que tanto quer impingir diminuísse o número dessas clínicas que funcionam como «slot-machines». O que a procuradora-geral não disse é que esse negócio vai é aumentar e muito, sendo ainda por cima ajudado pelo Estado! Ou é ingénuo a ponto de pensar que a despenalização vai diminuir o número de clínicas que praticam o aborto? O QUE VAI ACONTECER É QUE ELAS VÃO PROLIFERAR e continuar a ser slot-machines À CUSTA DE TODOS NÓS... É essa a única diferença.
De luis v a 19 de Janeiro de 2007 às 01:49
A este apoiante do "não" as clínicas e os impostos causam-lhe muito transtorno. Quando se debate um problema de saúde pública é isto que este apoiante do "não" tem para oferecer. A juntar ao machismo que minoriza e incapacita as mulheres, e às imposições ilegítimas que a igreja católica e grande parte dos seus seguidores querem impôr ao conjunto da sociedade, veio-se agora juntar o argumento económico, numa vergonhosa falta de solidariedade social e de cegueira dos verdadeiros problemas que enfrentamos.
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 13:50
Nada do que diz justifica que se acabe arbitrariamente com uma vida humana indefesa. Todo o apoio que foi dado à adolescente de quem fala foi muitíssimo bem dado, MENOS O ABORTO. Ela poderia ter sido ajudada também a ter o filho ou, em último caso, a dá-lo para adopção. A situação era dramática e teria sido certamente difícil contorná-la, mas a coragem estaria em dizer sim à vida e à esperança e não sim à morte. O pai teria sido condenado na mesma pelo seu crime, e uma lei justa não permitiria que fosse ele a ficar com a criança. Fala do choro e das emoções da mãe, porque os viu, mas esquece quem não pode ser visto e ouvido na barriga dessa mãe.
O aborto não é solução para os problemas sociais. Não podemos permitir que se combata um crime com outro crime pior.
De cneves a 18 de Janeiro de 2007 às 14:48
Caro(a) anónimo(a),
Já que enche tanto a boca para falar de "crime", porque não o faz (fez) também em relação às situações já previstas na actual Lei? Sobre essas, não lemos nada escrito por si...(ou lemos? - um anónimo, pode sempre ser confundido...) Essas não são "crime"?
Se são, porque não fala delas?
Se não são, porque é que as previstas no actual Referendo o são?
Sabe, falar do sofrimento dos outros, não "dói" nada e você gosta muito de teorizar sobre o que não conhece.
Cumprimentos,
Celestino Neves
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 21:50
E quem é você para dizer o que conheço ou deixo de conhecer????
Quanto às situações da actual lei, não são elas as que estão em discussão agora e por isso não são para aqui chamadas (até porque já não adianta nada discuti-las)...
De luis v a 19 de Janeiro de 2007 às 01:43
As excepções da actual lei não estão directamente em debate para este referendo, mas não será preciso um esforço muito grande para perceber que a lógica do "não" é incompatível com elas. A vocês interessa-vos muito que não se fale em mulheres violadas, fetos malformados, embriões ou zigotos. Ou estes dois últimos também não estão em discussão?

O que vos interessa realmente é continuar a reafirmar incessantemente o valor absoluto da vida, esquecendo por completo a saúde das milhares de mulheres que abortaram e que abortam todos os anos. Interessa-vos que a vida de um embrião seja sacralizada, sem qualquer justificação válida ou fundamento ético. Para o "não" os porquês são pouco importantes, porque se agarrou à verdade absoluta que enforma a sua crença.
De MCA a 22 de Janeiro de 2007 às 12:53
A história que conta, da Bárbara, é realmente dramática mas não é verdade que em Portugal ela não conseguisse o aborto à luz da actual lei. Talvez ela não procurasse um médico, é certo, porque há muita falta de informação sobre as condições em que o aborto pode ser realizado. Criou-se o mito de que é quase impossível conseguir um aborto por motivos psicológicos. Nesse caso, aos 14 anos, além das razões psicológicas também haveria razões médicas para permitir o aborto. Os risco para a saúde da mãe, nessa idade, são elevados. À luz da actual lei, teria podido abortar. O que falta é informação e medo. É com isso que é preciso acabar.

Comentar post

.NÃO

-Reacção de Marques Mendes(SIC)

-Reacção de Ribeiro e Castro(SIC)

-Reacção de Movimentos pelo Não(SIC)

.links